Exposição "Ílhavo Quinhentista"
No dia 8 de março de 2014 decorreu, no Centro Cultural de Ílhavo, a cerimónia de abertura das Comemorações dos 500 Anos da Outorga do Foral Manuelino de Ílhavo, que contou com a presença de mais de três centenas de pessoas.
O Presidente da Câmara Municipal de Ílhavo, Fernando Caçoilo, iniciou este ato solene referindo que "a nossa história é milenar pois já na Idade Média Ílhavo era uma Vila" e que "este conhecimento é fundamental, num Município que se destaca por proporcionar elevados padrões a quem aqui vive, trabalha e visita".
A cerimónia prosseguiu com a palestra "Ílhavo, marcos da sua história" proferida pelo Professor Doutor Saul Gomes, o lançamento do Selo Comemorativo alusivo à data, numa parceria entre a Câmara Municipal de Ílhavo e os CTT - Correios de Portugal, e a inauguração da exposição "Ílhavo Quinhentista". Nesta exposição procurou evidenciar-se a importância da outorga do foral em 8 de março de 1514 pelo Rei D. Manuel I, apresentando uma retrospetiva da sociedade ilhavense do século XVI.
Para encerrar com chave de ouro as comemorações desta efeméride foi apresentada no auditório do Centro Cultural de Ílhavo, no dia 30 de novembro, uma encenação da Outorga do Foral. Esta peça esteve a cargo do encenador do CETA, António Morais, e contou com a participação especial do GRAL - Grupo Recreativo Amigos da Légua, do Grupo de Teatro Ribalta, do Grupo de Teatro "Mar Alegre" do Agrupamento de Escolas de Ílhavo e da Turma de Flauta do Professor Jorge Ferreira do Conservatório de Música de Aveiro.
Senhoriava Ílhavo, por alturas da Atribuição do Foral Novo...
Quando, em 1514, lhe foi outorgado Foral Novo, Ílhavo era senhoreado por António Borges, a quem competia administrar o território e conferir proteção e justiça aos seus habitantes, especialmente dos lugares de Alqueidão, Vila de Milho, Azenhas do Vale de Ílhavo e Sá, em troca de impostos/benefícios consagrados na carta foralenga.
António Borges de Miranda era filho de Gonçalo Borges (ou da Arruda), senhor de Carvalhais e de Vila de Milho ou Verdemilho, que fora cavaleiro da guarda d'el-rei D. João I e porteiro-mor do rei D. Afonso V, sucedendo neste cargo ao seu sogro, Afonso de Miranda.
O cognome de Miranda herdou-o de sua mãe, D. Isabel de Sousa, filha de Afonso de Miranda, neta de Martim Afonso de Miranda, senhor do morgado da Patameira, e bisneta paterna do Doutor Martim Afonso, arcebispo de Braga. Sua tia, D. Leonor de Miranda, era mulher de João de Sousa, senhor e comendador perpétuo da vila de Sóza ou "Çosa". E um dos seus irmãos, Pêro Borges de Sousa, exerceu funções de vedor da Casa de D. João II e, mais tarde, de vedor da Chancelaria do referido monarca e de D. Manuel.
António Borges de Miranda casou-se com D. Margarida Henriques, filha de D. Afonso Henriques, senhor de Barbacena e alcaide-mor de Portalegre, e de Lucrécia Pereira de Berredo. Desta união nasceram Gonçalo da Silva, prior de Verdemilho, Pêro Borges de Miranda e Simão de Miranda, desembargador do Paço, casado com D. Luísa de Melo.
De um segundo casamento, celebrado com D. Antónia Pereira de Berredo, filha de Rui Pereira de Miranda e prima da sua primeira esposa, nasceram Rui Pereira de Miranda, herdeiro da casa paterna, Gonçalo Borges, que faleceu após uma queda de cavalo, D. Ana de Berredo, que veio a casar-se com Luís de Melo de Sampaio, e D. Antónia de Miranda.
No dia da entrega do foral a "Ylhevo", a 2 de setembro de 1514, António Borges fez-se representar por Fernam Gonçallvez, seu almoxarife, e Sambastyam Ferrnandez, seu rendeiro, morador em Aveiro.
António Borges era também um homem profundamente ligado à espiritualidade, tendo sido inclusive nomeado padroeiro da igreja de S. Salvador.
Por determinação de D. João III, as "terras de Carvalhaes e Ilhavo" passaram, após a morte de António Borges, em 1529, para o seu primogénito, Rui Pereira de Miranda, fruto do casamento com D. Antónia Pereira.
Fonte: O foral manuelino de Ílhavo. Introdução histórica, transcrição paleográfica e revisão científica Saúl António Gomes; comentário codicológico e transcrição paleográfica Eliana Fernandes Fidalgo; coordenação editorial Lisete Cipriano. Ílhavo: Câmara Municipal de Ílhavo, [2009].
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