| HISTÓRIA ADMINISTRATIVA / BIOGRÁFICA / FAMILIAR: | O Porto de Aveiro tem uma história muito peculiar, comparando com os restantes portos portugueses, pois, ao contrário do que é habitual, a Barra foi criada longe de um centro populacional, neste caso, de Aveiro.
Recuando no tempo, consta-se que no século XII Aveiro teria a Barra aberta, permitindo o acesso direto às povoações de Ovar, Estarreja e Ílhavo.
As correntes marítimas, ventos e marés, influenciaram, grandemente, a criação da laguna que, em finais do século XIV e princípios do século XV, já se encontraria em estado bastante avançado. Para além da laguna, estes influenciaram também a localização da Barra, que se foi desviando sucessivamente para sul.
Em 1407, a Barra encontrava-se em frente à ilha da Testada.
Mais tarde, já no século XVI, esta situava-se um pouco mais a sul, em frente ao Monte Farinha, de acordo com o foral de Aveiro, de 1515.
Nos séculos XVI e XVII, atlas holandeses referem a existência de bancos de areia, com os quais era necessário ter cuidado ao entrar na Barra. Estes documentos referem ainda a existência de marinhas de sal, bem como o canal que se abria à vila de Aveiro.
Com a movimentação da Barra, as águas provenientes do rio Vouga estavam cada vez mais longe do litoral.
No inverno, o aumento do caudal, causava inundações frequentes. No Verão, quase não se verificava o escoamento das águas, que ficavam estagnadas na laguna, cada vez mais assoreada.
Em 1687, a Barra encontrava-se na Vagueira.
Em 1788, a Barra estava obstruída, a cinco léguas a sul de Aveiro, quase em Mira, a qual fechou-se completamente em 1791.
Com a movimentação da Barra para sul, as zonas ribeirinhas encontravam-se em declínio, as águas não circulavam, não se renovavam, as marinhas estavam submersas, os campos alagados, as culturas apodreciam, a fauna e a flora estavam destruídas, as pessoas adoeciam, o comércio era quase inexistente. Em suma, Aveiro era uma povoação pequena, pobre, doente.
Em 1808, a 3 de abril, depois de várias tentativas falhadas, a Barra é finalmente aberta no lugar onde hoje se encontra, fator que alterou drasticamente a conjuntura social e económica da cidade.
Com a Barra aberta, havia que a solidificar e de construir um porto.
Depois do grandioso feito que foi a abertura da Barra, verificou-se um aumento do fabrico do sal, do comércio e das atividades piscatória e agrícola, que até então se encontravam paradas devido à estagnação das águas. Como consequência, assistiu-se uma diminuição acentuada das doenças, revertendo a tendência que até então se verificava.
Aveiro projetou-se em direção ao mar e à ria, fenómeno que, atualmente, é bem visível, estando preparado para o transporte de mercadorias, provenientes de qualquer origem.
Os esforços de abertura e gestão da Barra de Aveiro refletem-se na organização institucional que, desde 1755 até à atualidade, se tem verificado, nomeadamente com a Superintendência das Obras da Barra de Aveiro (1755 – 1838), Junta Administrativa e Fiscal das Obras de Aveiro (JAFOA) (1838 – 1884), Circunscrição Hidráulica (1884 - 1898), Junta Administrativa das Obras da Barra e Ria de Aveiro (JAOBRA) (1898 – 1921), Junta Autónoma da Ria e Barra de Aveiro (JARBA) (1921 – 1950), Junta Autónoma do Porto de Aveiro (JAPA) (1950 – 1998) e Administração do Porto de Aveiro (APA) (1998 - ). |